Quando Paulo escreveu a Timóteo, sua orientação sobre a pregação foi direta: “Prega a palavra” (2 Timóteo 4:2).
Essa pequena frase estabelece uma diferença fundamental entre uma pregação evangélica e uma apresentação religiosa: o centro da mensagem não é a criatividade do pregador, sua capacidade de emocionar ou a quantidade de histórias que consegue contar. O centro é a Palavra que está sendo anunciada.
Isso não significa que comunicação, organização e criatividade sejam desnecessárias. Elas podem ajudar muito. O problema começa quando essas ferramentas ocupam o lugar que pertence ao texto bíblico.
Uma pregação pode receber muitos elogios e ser rapidamente esquecida. Outra pode terminar em silêncio e continuar confrontando, consolando e orientando quem a ouviu durante dias.
Por isso, antes de perguntar “como posso impressionar a igreja?”, uma pergunta mais saudável seria:
“Como posso tornar clara e aplicável a verdade que este texto bíblico apresenta?”
É dessa pergunta que deve nascer a preparação do sermão.
O que realmente caracteriza uma pregação evangélica?
Em 2 Timóteo 4:1-5, Paulo não entrega a Timóteo uma técnica de oratória. Ele lhe dá uma responsabilidade.
Timóteo deveria proclamar a Palavra com perseverança, corrigir, repreender e encorajar, exercendo seu ministério mesmo quando surgisse resistência à verdade.
Poucos versículos depois, Paulo fala sobre sua própria partida e sobre ter completado sua carreira (2 Timóteo 4:6-8). Isso dá peso especial à orientação. Não é um conselho casual. É uma responsabilidade ministerial sendo colocada diante de alguém que continuaria pregando depois dele.
A partir desse princípio, uma boa pregação precisa fazer pelo menos quatro coisas:
- revelar com clareza o que o texto bíblico está dizendo;
- ajudar o ouvinte a compreender por que essa verdade importa;
- relacionar a mensagem com Cristo e com o evangelho de maneira coerente;
- conduzir o ouvinte a uma resposta concreta.
O pregador não precisa fazer a Bíblia parecer interessante. Precisa ajudar as pessoas a enxergarem aquilo que muitas vezes não perceberiam sozinhas durante uma leitura rápida.
Antes de criar os pontos, descubra o que o texto está dizendo
Um dos erros mais comuns na preparação de sermões acontece muito cedo.
O pregador escolhe um tema que deseja abordar, cria três pontos interessantes e somente depois procura versículos que possam apoiar cada ideia.
Nesse processo, a Bíblia corre o risco de se tornar uma coleção de frases utilizadas para validar aquilo que já estava decidido.
Uma preparação mais segura faz o caminho inverso.
Primeiro vem o texto.
Depois vem a mensagem.
Somente então surge a estrutura.
Leia além do versículo escolhido
Se você pretende pregar sobre um único versículo, leia pelo menos o trecho no qual ele está inserido.
Dependendo da passagem, será necessário ler o capítulo inteiro ou até compreender o desenvolvimento do livro.
Observe:
- quem está falando;
- quem está ouvindo;
- o que aconteceu antes;
- o que acontece depois;
- qual problema está sendo tratado;
- quais palavras ou ideias aparecem repetidamente;
- se existe uma ordem, promessa, advertência, pergunta ou contraste;
- o que a passagem revela sobre Deus;
- como ela participa da mensagem mais ampla das Escrituras.
Esse trabalho evita interpretações construídas a partir de uma frase isolada.
Um exemplo simples
Imagine que você esteja preparando uma mensagem baseada em Marcos 4:35-41, quando Jesus acalma a tempestade.
Seria possível utilizar essa história apenas para dizer:
“Jesus resolve nossas tempestades.”
Mas a narrativa oferece muito mais.
Jesus orienta os discípulos a atravessarem o mar. Durante a travessia surge uma forte tempestade. Enquanto o barco começa a encher de água, Jesus está dormindo. Os discípulos O acordam desesperados. Jesus repreende o vento, acalma o mar e depois confronta o medo e a falta de fé dos discípulos.
A passagem não fala somente sobre problemas.
Ela coloca os discípulos diante de uma pergunta maior:
Quem é Jesus?
O próprio texto termina com eles perguntando quem é Aquele a quem até o vento e o mar obedecem.
Perceber isso muda completamente a pregação.
Resuma a mensagem do sermão em uma frase
Depois de estudar a passagem, tente responder:
Se eu pudesse ensinar apenas uma verdade deste texto à congregação, qual deveria ser?
Escreva a resposta em uma frase.
Para Marcos 4:35-41, uma possibilidade seria:
Podemos confiar em Jesus durante as tempestades porque Sua presença e Seu poder são maiores do que aquilo que nos ameaça.
Essa frase funciona como uma espécie de filtro.
Se uma história, explicação, citação ou aplicação não ajuda a desenvolver essa verdade, talvez ela não precise estar no sermão.
Esse exercício também impede um problema frequente: tentar colocar cinco sermões diferentes dentro de uma única mensagem.
Você não precisa falar tudo o que sabe.
Precisa explicar bem aquilo que decidiu ensinar.
Defina onde a pregação deseja levar o ouvinte
Depois da mensagem central, existe outra pergunta importante:
O que essa verdade pede de quem a escuta?
A resposta estabelece o objetivo da pregação.
Imagine novamente o sermão de Marcos 4.
Mensagem central: podemos confiar em Jesus durante as tempestades porque Seu poder é maior do que aquilo que nos ameaça.
Objetivo: conduzir os ouvintes a identificarem os medos que estão governando suas decisões e entregá-los conscientemente a Cristo.
Agora o sermão possui direção.
Isso não significa que o pregador possa determinar o que acontecerá no coração de cada pessoa. Convicção e transformação não são produzidas por técnicas de comunicação.
O objetivo apenas impede que a mensagem termine sem deixar claro qual resposta o texto bíblico pede.
Como organizar uma pregação evangélica sem ficar preso a três pontos
Introdução, três pontos e conclusão podem funcionar muito bem.
Mas a Bíblia não foi escrita em três pontos.
Uma narrativa pode pedir uma progressão. Uma carta pode exigir que o pregador acompanhe um argumento. Um salmo pode apresentar movimentos diferentes. Uma passagem profética pode ser construída sobre contraste, advertência e esperança.
A estrutura deve servir ao texto.
Não o contrário.
Uma maneira útil de pensar na preparação é dividir a mensagem em movimentos.
Movimento 1: apresente a tensão
Mostre a pergunta, problema ou conflito presente no texto.
Em Marcos 4:
Os discípulos obedeceram a Jesus, entraram no barco e mesmo assim encontraram uma tempestade.
Isso imediatamente levanta uma questão interessante:
Obedecer a Deus significa que tudo dará certo?
Agora existe uma razão para continuar ouvindo.
Movimento 2: deixe o texto desenvolver a resposta
Acompanhe aquilo que realmente acontece na passagem.
Os discípulos estão com medo.
Jesus parece estar em silêncio.
Eles O despertam.
Cristo se levanta.
O vento e o mar obedecem.
O texto cria sua própria progressão.
O pregador precisa mostrar essa progressão, e não apenas extrair frases desconectadas dela.
Movimento 3: confronte a interpretação humana
Os discípulos interpretaram o silêncio de Jesus como falta de cuidado:
“Mestre, não te importa…?” (Marcos 4:38).
Essa pergunta continua atual.
Muitas pessoas não negam que Deus exista. O conflito surge porque não conseguem entender por que Ele ainda não fez aquilo que esperavam.
Nesse ponto, a mensagem pode sair da descrição da tempestade e alcançar a experiência do ouvinte.
Movimento 4: revele a verdade central
Jesus não apenas resolve um problema meteorológico.
A reação dos discípulos mostra que eles estão descobrindo algo sobre Sua identidade e autoridade.
A tempestade revelou o medo deles, mas também criou o cenário no qual conheceram mais profundamente o poder de Cristo.
Agora a aplicação possui fundamento bíblico.
Ela não nasceu de uma frase motivacional.
Nasceu da narrativa.
Uma introdução forte não precisa ser longa
Os primeiros minutos de uma pregação possuem uma função específica: fazer a congregação perceber qual questão será enfrentada.
Não tente explicar todo o sermão na abertura.
Também não é necessário começar contando uma história.
Você pode iniciar pela própria tensão do texto:
“Os discípulos entraram naquele barco porque Jesus mandou. Então por que encontraram uma tempestade no caminho?”
Em poucos segundos, três coisas aconteceram:
- a atenção foi direcionada para a Bíblia;
- surgiu uma pergunta;
- a congregação recebeu uma razão para acompanhar o restante da mensagem.
Compare isso com uma abertura genérica sobre “as dificuldades da vida”.
A segunda poderia ser usada em dezenas de sermões.
A primeira pertence àquela passagem.
Esse é um bom teste para a introdução: ela poderia ser copiada para outro sermão sem praticamente nenhuma alteração?
Se a resposta for sim, talvez ainda esteja genérica demais.
Explique o texto antes de tentar aplicá-lo
A aplicação é importante, mas o ouvinte precisa primeiro entender de onde ela veio.
Uma sequência simples pode ajudar durante cada parte do sermão:
Texto → Explicação → Conexão → Aplicação
Texto
Mostre a frase ou acontecimento que está sendo examinado.
Explicação
Ajude a congregação a perceber o significado daquele trecho dentro da passagem.
Conexão
Mostre por que aquela verdade ainda importa.
Aplicação
Apresente uma resposta concreta.
Veja como isso funcionaria:
Texto: Jesus pergunta aos discípulos por que estavam com tanto medo.
Explicação: o problema não era apenas o vento. A tempestade revelou como eles estavam interpretando a presença e o poder de Cristo.
Conexão: situações de crise também revelam aquilo que acreditamos sobre Deus quando não controlamos o resultado.
Aplicação: em vez de tomar uma decisão importante dominado pelo medo, identifique primeiro qual verdade bíblica está sendo esquecida naquela situação.
A aplicação agora é específica.
Não termina simplesmente em:
“Precisamos ter mais fé.”
Aplicação prática não é uma frase religiosa no final do ponto
“Confie em Deus.”
“Ore mais.”
“Tenha fé.”
“Leia a Bíblia.”
Todas podem ser orientações corretas, mas ainda são muito amplas.
O pregador precisa avançar uma pergunta:
Como essa verdade pode alterar a maneira como alguém viverá quando sair daqui?
Se a mensagem é sobre perdão, talvez a aplicação envolva parar de alimentar uma conversa que mantém determinada mágoa viva.
Se a mensagem é sobre oração, talvez envolva separar um período concreto do dia e retirar distrações.
Se a mensagem é sobre família, pode envolver iniciar uma conversa que vem sendo adiada.
Se o texto confronta desonestidade, a aplicação pode exigir reparação.
Se fala sobre missão, talvez a pessoa precise identificar alguém por quem começará a orar e com quem pretende compartilhar sua fé.
Aplicação bíblica não procura apenas produzir sentimento.
Procura aproximar verdade e decisão.
Conheça as pessoas sem alterar a mensagem
A passagem bíblica não muda porque o público mudou.
A forma de comunicar, porém, precisa considerar quem está ouvindo.
Imagine a mesma passagem sendo pregada em três ambientes:
- um culto regular de sábado;
- uma reunião de adolescentes;
- uma programação evangelística com muitos visitantes.
O texto pode permanecer exatamente o mesmo.
Mas exemplos, vocabulário, explicações e pressupostos provavelmente precisarão mudar.
Antes de finalizar sua pregação, pergunte:
- essas pessoas conhecem a passagem?
- existem termos religiosos que precisam ser explicados?
- que dúvidas provavelmente surgirão?
- quais situações reais tornam esse assunto relevante?
- existe algo que um visitante não cristão teria dificuldade para compreender?
- minhas aplicações alcançam apenas pessoas que vivem a mesma realidade que eu?
Conhecer o público não significa retirar as partes difíceis da mensagem.
Significa remover obstáculos desnecessários à compreensão.
Cristo não deve aparecer somente nos últimos minutos
Existe um padrão que enfraquece muitos sermões.
O pregador desenvolve praticamente toda a mensagem sobre comportamento, disciplina ou superação e, perto do final, acrescenta algumas frases sobre Jesus antes do apelo.
Cristo parece ter sido anexado ao sermão.
A mensagem cristã precisa ir além de ensinar pessoas a se comportarem melhor.
Por isso, durante o estudo, pergunte como a passagem se relaciona com aquilo que Deus revela sobre pecado, graça, fé, redenção, esperança e vida em Cristo.
Isso deve ser feito com responsabilidade.
Não force simbolismos que o texto não apresenta.
Nem toda pedra precisa representar Cristo, nem todo rio precisa simbolizar alguma experiência espiritual.
O objetivo não é encontrar Jesus artificialmente em cada detalhe. É compreender a passagem dentro da mensagem bíblica maior e não transformar o sermão em simples aconselhamento moral.
Use ilustrações para iluminar, não para substituir a Bíblia
Uma boa ilustração ajuda o ouvinte a enxergar a verdade.
Depois ela sai de cena.
Se as pessoas recordarem perfeitamente uma história engraçada, mas não souberem explicar qual verdade bíblica ela deveria ensinar, a ilustração ganhou espaço demais.
Prefira exemplos simples e verificáveis.
Você pode utilizar:
- situações cotidianas;
- elementos da natureza;
- acontecimentos conhecidos;
- objetos;
- comparações;
- cenas da própria Bíblia.
Não invente relatos para aumentar o impacto emocional da mensagem.
Também tenha cuidado com histórias da internet apresentadas como fatos sem confirmação.
Às vezes uma comparação curta funciona melhor do que cinco minutos de narrativa.
Por exemplo:
Uma âncora não remove a tempestade, mas mantém o barco ligado a um ponto firme. Da mesma maneira, uma promessa bíblica não significa que o problema desapareceu; ela nos lembra onde nossa confiança permanece enquanto atravessamos o problema.
A ilustração cumpriu seu papel e imediatamente devolveu a atenção para a verdade ensinada.
Faça transições para que a congregação acompanhe o raciocínio
O pregador estudou a mensagem durante horas.
A congregação está ouvindo tudo pela primeira vez.
Aquilo que parece óbvio para quem preparou pode não estar claro para quem escuta.
Por isso, ao mudar de uma parte para outra, mostre a relação entre elas.
Uma frase pode ser suficiente:
“A tempestade não prova que os discípulos estavam no caminho errado. Mas surge outra dificuldade: como continuar confiando quando Jesus parece estar em silêncio?”
Agora o ouvinte entende por que a mensagem está avançando para o próximo assunto.
Boas transições quase não são percebidas.
Transições ruins fazem a congregação perguntar mentalmente:
“Como ele chegou nesse assunto?”
Como construir o encerramento da pregação
Quando o sermão está chegando ao fim, pare de acrescentar conteúdo.
A conclusão não é o momento para descobrir um quarto ponto.
Também não precisa repetir detalhadamente tudo o que foi dito.
Retome a tensão apresentada no início e mostre como o texto a respondeu.
No exemplo de Marcos 4:
Os discípulos entraram no barco obedecendo a Jesus. Encontraram uma tempestade. Pensaram que Seu silêncio significava falta de cuidado. Quando Cristo se levantou, descobriram que Aquele que estava no barco era maior do que aquilo que ameaçava afundá-los.
A mensagem pode então voltar ao ouvinte:
Talvez você ainda não saiba quando sua tempestade terminará. Mas a pergunta do texto não é apenas quando o vento vai parar. É em quem você confiará enquanto ele ainda sopra.
Agora existe espaço natural para uma decisão.
O apelo precisa nascer da mensagem
Se durante trinta minutos o sermão falou sobre confiança em Cristo durante uma crise, não faça um apelo completamente desconectado do assunto.
Leve a pessoa a responder à verdade que acabou de ouvir.
O apelo pode ser:
- uma decisão silenciosa;
- um convite à oração;
- uma pergunta;
- uma ação que deverá ser tomada;
- um chamado à reconciliação;
- um convite para entregar a vida a Cristo;
- uma oportunidade para buscar acompanhamento espiritual.
Não confunda apelo com pressão emocional.
Repetir insistentemente o convite, aumentar o volume da voz ou criar constrangimento público não produz necessariamente uma decisão espiritual verdadeira.
Apresente com clareza aquilo que o texto pede e permita que a pessoa responda conscientemente.
Escreva primeiro. Depois reduza para o púlpito
Para quem está aprendendo como preparar uma pregação evangélica, escrever o sermão completo pode ser extremamente útil.
Durante a escrita aparecem problemas que não eram percebidos no pensamento:
- explicações confusas;
- repetições;
- desvios do tema;
- aplicações fracas;
- histórias longas;
- transições inexistentes;
- conclusões que começam cedo demais.
Depois da revisão, transforme o conteúdo em um esboço menor.
O esboço pode trazer apenas:
Título
Texto principal
Verdade central
Objetivo
Abertura
Movimentos principais do texto
Referências necessárias
Ilustrações em palavras-chave
Aplicações
Conclusão
Apelo
O esboço deve ajudar a lembrar.
Se ele contém páginas de parágrafos que precisam ser lidos palavra por palavra, talvez ainda seja um manuscrito.
Ensaie para descobrir problemas antes do púlpito
Leia ou pregue a mensagem em voz alta pelo menos uma vez.
O objetivo não é decorar cada palavra.
É descobrir como o sermão realmente funciona quando deixa o papel.
Observe:
- quanto tempo a introdução consome;
- onde o raciocínio fica confuso;
- se alguma explicação está longa;
- onde uma pausa ajudaria;
- se as transições funcionam;
- se a conclusão realmente parece uma conclusão;
- se o tempo total está adequado.
Se o sermão ficou longo, não resolva falando mais rápido.
Corte.
Normalmente há frases repetidas, uma ilustração dispensável ou alguma explicação secundária que pode sair sem prejudicar a mensagem.
Como comunicar melhor durante a pregação
Preparação bíblica e comunicação não são adversárias.
Se a mensagem merece ser preparada com cuidado, também merece ser comunicada de forma compreensível.
Durante a apresentação:
- olhe para as pessoas;
- fale em ritmo natural;
- faça pausas após ideias importantes;
- não grite o tempo inteiro;
- varie a entonação quando o conteúdo exigir;
- evite andar sem propósito;
- não fique preso às anotações durante toda a mensagem;
- mantenha a Bíblia como referência visível;
- respeite o tempo concedido.
Volume não é autoridade.
Velocidade não é entusiasmo.
E emoção não é necessariamente espiritualidade.
Uma comunicação madura permite que a forma ajude a mensagem sem competir com ela.
Erros que enfraquecem uma pregação evangélica
Começar pelo que deseja dizer e depois procurar versículos
Isso aumenta o risco de forçar a Bíblia a apoiar uma opinião.
Comece estudando o texto.
Tentar ensinar assuntos demais
Se a congregação precisa lembrar dez ideias principais, provavelmente não lembrará nenhuma.
Escolha uma verdade central.
Citar muitos versículos sem explicá-los
Quantidade de referências não significa profundidade bíblica.
É melhor compreender bem algumas passagens do que passar rapidamente por quinze textos diferentes.
Fazer da introdução outro sermão
A abertura precisa levar ao texto.
Se quinze minutos se passaram e a passagem ainda não apareceu, provavelmente existe algo para cortar.
Usar títulos como se fossem explicação
Dizer “Deus está conosco” não desenvolve um ponto.
Mostre onde a passagem revela isso, o que significa naquele contexto e como essa verdade alcança a vida.
Aplicar tudo de maneira genérica
Se todas as partes terminam em “precisamos ter fé”, o sermão ainda precisa de trabalho.
Copiar uma mensagem sem estudá-la
Esboços e sermões prontos podem ajudar na preparação, mas não substituem leitura e compreensão do texto.
Se você não consegue explicar por que determinado ponto está no sermão, não deveria simplesmente repeti-lo no púlpito.
Tentar fabricar emoção
Existem textos que naturalmente emocionam.
Permita que isso aconteça.
Mas não tente substituir o peso da verdade por música, histórias dramáticas ou alterações artificiais de voz.
Modelo de pregação evangélica preenchido
Veja como os princípios podem ser reunidos em um sermão.
Título
Quando Jesus Parece em Silêncio
Texto bíblico
Marcos 4:35-41
Verdade central
Podemos confiar em Jesus durante as crises porque Sua presença e Seu poder são maiores do que aquilo que nos ameaça.
Objetivo
Levar os ouvintes a reconhecerem os medos que têm dirigido suas decisões e entregá-los conscientemente a Cristo.
Abertura
Se foram os próprios discípulos que entraram naquele barco porque Jesus mandou, por que encontraram uma tempestade no caminho?
Às vezes interpretamos dificuldades como evidência de que Deus nos abandonou ou de que necessariamente tomamos uma decisão errada.
Marcos 4 mostra discípulos obedientes enfrentando uma tempestade real.
Primeiro movimento — Eles obedeceram e a tempestade veio
Jesus havia orientado a travessia.
Isso significa que a presença da tempestade, por si só, não provava desobediência.
Aplicação: não interprete automaticamente toda dificuldade como sinal de que Deus o abandonou. Examine suas decisões pela Palavra, e não apenas pelas circunstâncias.
Segundo movimento — O silêncio de Jesus foi interpretado como falta de cuidado
Jesus estava no barco, mas dormia.
Os discípulos perguntaram se Ele não Se importava.
A crise começou do lado de fora, mas rapidamente atingiu a maneira como eles interpretavam Jesus.
Aplicação: quando a resposta demora, observe as conclusões que seu medo está produzindo sobre o caráter de Deus.
Terceiro movimento — A tempestade revelou quem estava no barco
Jesus repreendeu o vento e o mar.
Os discípulos então fizeram uma pergunta ainda maior sobre Sua identidade.
A narrativa começa com medo da tempestade e termina com assombro diante de Cristo.
Aplicação: não concentre toda a sua oração apenas em sair da dificuldade. Pergunte também o que precisa compreender sobre Cristo enquanto atravessa essa experiência.
Encerramento
Os discípulos não escolheram a tempestade.
Mas naquele barco descobriram algo que provavelmente não aprenderiam da mesma maneira em terra firme.
O vento expôs sua fragilidade.
Cristo revelou Sua autoridade.
Apelo
Qual medo está governando suas decisões neste momento?
Você talvez ainda não saiba quando a tempestade terminará.
Mas pode decidir hoje em quem colocará sua confiança enquanto atravessa o mar.
Apresente esse medo a Cristo em oração e escolha caminhar de acordo com aquilo que Sua Palavra já revelou.
Modelo simples para preparar seu próximo sermão
Use estas perguntas como ponto de partida:
Texto principal:
Qual passagem realmente governará a mensagem?
Contexto:
O que preciso compreender antes de explicar essa passagem?
Verdade central:
Qual é a principal verdade do texto em uma frase?
Questão do sermão:
Que problema, pergunta ou tensão essa passagem responde?
Objetivo:
Que resposta bíblica será apresentada aos ouvintes?
Abertura:
Como posso conduzir rapidamente a congregação ao problema do texto?
Desenvolvimento:
Quais movimentos naturais aparecem na passagem?
Explicação:
O que o ouvinte provavelmente não perceberia sozinho?
Aplicação:
O que essa verdade muda concretamente?
Cristo e o evangelho:
Como a passagem se conecta coerentemente com a mensagem maior das Escrituras?
Conclusão:
Como a tensão apresentada no início é respondida?
Apelo:
Qual decisão faz sentido depois de ouvir essa mensagem?
Checklist antes de pregar
Antes de subir ao púlpito, revise:
- Eu li o texto dentro do contexto?
- Consigo explicar a verdade central em uma frase?
- A estrutura surgiu do texto ou foi imposta a ele?
- Minha introdução conduz rapidamente à passagem?
- Cada parte realmente desenvolve a mensagem central?
- Expliquei os versículos ou apenas os citei?
- Existem informações interessantes que não são necessárias?
- Minhas aplicações são específicas?
- Cristo está presente de maneira coerente na mensagem?
- Minhas ilustrações ajudam ou distraem?
- O encerramento responde à questão apresentada no início?
- O apelo está ligado ao conteúdo pregado?
- Testei a duração?
- Existe alguma parte que posso retirar sem prejudicar o sermão?
- Estudei aquilo que pretendo ensinar?
- Apresentei a preparação a Deus em oração?
Antes de subir ao púlpito, responda uma última pergunta
Esdras 7:10 apresenta uma sequência valiosa: buscar a Palavra do Senhor, praticá-la e ensiná-la.
O pregador não é apenas alguém que prepara conteúdo para outras pessoas.
A Palavra que será anunciada também precisa passar primeiro por ele.
Por isso, depois de terminar o esboço, fechar os comentários e revisar as anotações, existe uma última pergunta que merece ser feita:
Se minha congregação lembrar apenas uma verdade desta pregação, qual verdade precisa permanecer?
Se você não consegue responder, talvez o sermão ainda esteja tentando dizer coisas demais.
Se consegue, examine novamente cada parte da mensagem.
Mantenha aquilo que conduz a essa verdade.
Retire aquilo que apenas ocupa espaço.
Explique cuidadosamente o texto.
Mostre sua relevância.
Apresente Cristo.
Faça uma aplicação clara.
Então pregue.
Não para demonstrar quanto estudou, mas para que aqueles que ouvirem consigam compreender melhor a Palavra que você foi chamado a anunciar.
